A indústria de cobre concentrado (fios e cabos, semimanufaturados e suas ligas) teve um faturamento recorde US$ 7,5 bilhões em 2007, mas se queixa do alto preço da matéria-prima, cotada no mercado externo. Em 2007, o preço médio por tonelada ficou em US$ 7.118, enquanto em 2006, a cotação estava em US$ 6.722/tonelada.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel), Sérgio Aredes, a tendência é de que a média do preço do cobre feche, este ano, em U$ 8.200. Mas Aredes não prevê aumentos ainda maiores para o futuro. "Acredito que o valor será reduzido ainda em 2008, uma vez que deve haver um desvio dos investimentos dos fundos dos metais para o setor agrícola, devido à crise dos alimentos".
A alta volatilidade dos preços do cobre tem agido diretamente na queda da margem de lucro da indústria transformadora, que, segundo Aredes. "Há repasses, mas são menores que o ideal porque os clientes relutam em aceitar um grande aumento nos preços", afirma o presidente do Sindicel.
O setor reclama, ainda, das importações, especialmente da China e do Chile, grandes vendedores de vergalhões e catodos. Só em 2007, a China exportou 3.544 milhões de toneladas de cobre refinado (vergalhões e catodos) para o mundo todo. O Brasil é o 20° colocado entre os exportadores, com vendas externas de 218 milhões toneladas.
Além disso, a indústria pede mudanças tributárias como a redução das alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a desoneração do IPI sobre alguns produtos, além de cobrar do governo o pagamento dos créditos acumulados.
O Brasil produziu pouco mais de 200 mil toneladas de cobre concentrado em 2007, para um consumo anual de aproximadamente 330 mil toneladas.
Para baratear a produção, os industriais estudam a possibilidade de substituir o cobre por outros metais, como o alumínio, o latão e o bronze. Segundo Aredes, o alumínio pode ser aplicado em produtos de média tensão. No entanto, a solução se mostra desvantajosa para as indústrias. "Ocorre um problema no momento da solda do produto, já que o alumínio é menos maleável do que o cobre. É preciso usar um volume maior de metal e isso acarreta um aumento de trabalho. A empresa gastaria mais com a matéria-prima e receberia menos", explica o presidente do Sindicel.. |